Agricultores africanos são deslocados à medida que investidores chegam

 Fotos: Tyler Hicks/The New York Times

By NEIL MacFARQUHAR

SOUMOUNI, Mali – Uma meia-dúzia de estrangeiros chegou a esta aldeia remota no oeste africano com uma alarmante notícia para os agricultores de subsistência: as terras da aldeia, cultivada por gerações, agora pertenciam ao líder da Líbia, coronel Muammar Kadafi e que teriam que deixar as terras que eles pensavam ser sua.

“Eles nos disseram que esta seria a última estação chuvosa para cultivar os nossos campos e, após isso, eles vão derrubar todas as casas e tomar a terra”, disse Mama Keita, 73, o líder desta vila escondida por uma densa vegetação de arbustos espinhosos. Fomos informados de que Kadafi é dono desta terra.”

Soumouni fica a 20 quilômetros da estrada mais próxima e é habitada por criadores de gado nômades que oferecem informações sobre a direção de localidades como: “Vire à direita no cupinzeiro com o buraco”.

Sekou Traoré, de 69 anos, um ancião da aldeia, ficou surpreso quando funcionários do governo disseram que a Líbia era dona das terras e começaram a medir os campos. Ele sempre considerou as terras herdadas do avô para o pai e depois para ele de sua propriedade.

“Tudo o que queremos, antes de derrubarem as nossas casas e levarem os nossos campos é que eles nos mostrem as casas onde vamos viver, e os campos onde vamos trabalhar da que para frente”, disse ele.

“Estamos todos com medo”, disse ele em nome de uma aldeia de 2.229 habitantes. “Nós vamos ser vítimas desta situação, temos a certeza disso.”

Em toda a África e em todo mundo em desenvolvimento, uma nova corrida por terras está sugando grandes extensões de terras aráveis. Apesar de tradicionalmente ocuparem as terras por um período impossível de calcular, os moradores foram surpreendidos ao descobrir que os governos Africano são em geral os proprietários de suas terras e que estão vendendo ou assinando contratos de leasing, frequentemente a preços de banana, a investidores privados e de governos estrangeiros para as próximas décadas.

Organizações como as Nações Unidas e o Banco Mundial dizem que se a prática for feita de forma equitativa, poderá ajudar a alimentar a crescente população mundial por meio da introdução da agricultura comercial em larga escala comercial para lugares sem ele.

Mas outros condenam os contratos como uma grilagem de terra neocolonialista que destrói aldeias, desenraiza milhares de agricultores e cria uma multidão volátil de trabalhadores sem-terra. Para piorar a situação, afirmam que grande parte dos alimentos será destinado para a exportação para as nações mais ricas.

“A segurança alimentar do país em questão deve ser prioridade”, disse Kofi Annan, o ex-secretário geral da ONU que, hoje, trabalha com a questão da agricultura na África. “Caso contrário, é uma forma de exploração direta e não vai funcionar. Já vimos uma corrida para a África antes. Eu não acho que nós queremos ver uma segunda corrida de exploração.”

Um estudo do Banco Mundial relatou, em setembro de 2010, negócios de terra de até 110 milhões de hectares – o tamanho dos estados americanos Califórnia e Virgínia Ocidental juntos – que foram anunciados durante os primeiros 11 meses de 2009. Mais de 70 por cento desses negócios foram de transferência de milhões de hectares para investidores em países da África, como o Sudão, Moçambique e Etiópia.

 Leia mais:

http://www.nytimes.com/2010/12/22/world/africa/22mali.html

Slide show http://www.nytimes.com/slideshow/2010/12/21/world/africa/20101221_MALI-11.html

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