Relatório da ONU avisa sobre o perigo de favelização das cidades africanas

Com uma população de mais de 1 bilhão o relatório fala de “oceanos de pobreza, as ilhas de riqueza” na África

Lagos, a capital da Nigéria deve ultrapassar o Cairo como a maior área urbana da África até 2015

John Vidal, editor de meio ambiente, The Guardian

A África se juntou à China e a Índia como a terceira região do mundo a alcançar uma população de 1 bilhão de pessoas e a expectativa é que esse número dobre até de 2050. Até lá, haverá três vezes mais pessoas vivendo nas cidades de africanas e o continente que tinham menos de 500 milhões de habitantes urbanos em 1950, pode passar a ter 1,3 bilhões até 2050. Continue lendo

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Mineração culpada pelo afundamento de ilhas

Sivaramakrishnan Parameswaran

BBC Tamil Service

Duas pequenas ilhas na primeira reserva marinha da biosfera do sul Ásiático afundaram principalmente devido à mineração dos recifes de coral, dizem especialistas.

As ilhas estavam localizadas em um grupo de ilhas no Golfo de Mannar, entre a Índia e o Sri Lanka. A região do Indo-Pacífico tem alguns dos mais ricos recursos biológicos marinhos do mundo. Continue lendo

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Consumo de recursos naturais pode aumentar 3 vezes no mundo, diz ONU

Volume utilizado poderá ir a 140 bilhões de toneladas por ano. Estimativa aponta que população mundial chegará a 9,3 milhões em 2050.

Da France Presse

O consumo mundial de recursos naturais pode ser triplicado até 2050, a 140 bilhões de toneladas por ano, caso não sejam tomadas medidas drásticas para frear a superexploração, advertiu a ONU.

O programa da ONU para o meio ambiente (PNUE) ressalta em um informe – publicado na quinta-feira (12) – que as reservas a um bom preço e qualidade de certos recursos essenciais como o petróleo, o ouro e o cobre já estão se esgotando.

Com uma população de 9,3 bilhões de pessoas esperadas para o ano de 2050 e com países em desenvolvimento cada vez mais prósperos, o PNUE adverte que “as perspectivas de níveis de consumo cada vez mais elevadas vão muito além do que é provavelmente viável”. Continue lendo

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Vida nos oceanos pode enfrentar extinção sem precedentes, diz estudo

Segundo relatório, sobrepesca, poluição e mudança climática estão agindo em conjunto de forma sem precentes.

Da BBC

Um recife de corais, um dos exemplos de vida nos oceanos. (Foto: IPSO / via BBC)
Um recife de corais, um dos exemplos de vida nos oceanos que pode ser extinta. (Foto: IPSO / via BBC)

Um novo estudo indica que os ecossistemas marinhos enfrentam perigos ainda maiores do que os estimados até agora pelos cientistas e que correm o risco de entrar em uma fase de extinção de espécies sem precedentes na história da humanidade. Continue lendo

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Desmatamento na Amazônia Legal cresceu 72% em maio, aponta Imazon

Comparação é em relação ao mesmo mês do ano passado. Estado do Pará foi líder na devastação da floresta, diz instituto.

Eduardo Carvalho Do Globo Natureza, em São Paulo

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela organização ambiental brasileira Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) aponta que a Amazônia Legal perdeu 165 km² de florestas devido ao desmatamento em maio, número que é 72% superior ao registrado no mesmo mês de 2010, quando a floresta perdeu 96 km² por corte raso (destruição total da mata).

Gerados a partir de imagens de satélite, os dados apresentam ainda um crescimento de 24% no desmatamento entre agosto de 2010 e maio de 2011, no comparativo com agosto de 2009 e maio de 2010. De acordo com o Imazon, desapareceu da Amazônia, nos últimos dez meses, uma área superior ao tamanho do município do Rio de Janeiro.

Devido à cobertura de nuvens, que atrapalha os satélites, o instituto monitorou 47% da área florestal na Amazônia Legal em maio. A região central e norte do Pará, e os estados do Amapá e Roraima estiveram mais de 80% encobertos.

O índice está próximo aos 27% de crescimento na devastação registrados pelo sistema de detecção de desmatamentos em tempo real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizado pelo governo federal como fonte oficial para combater os crimes ambientais no bioma.

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto.  (Foto: Divulgação)Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de maio. (Foto: Divulgação)

Segundo Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, o acumulado de 24% é preocupante e poderá aumentar se não houver um controle. “Mas ainda não significa que a derrubada da vegetação vai voltar a níveis estratosféricos. Até 2004, existia um desmatamento anual de 24 mil km². Entretanto, o governo deve ficar em alerta porque os índices que apenas caíam anualmente, agora, voltaram a subir”, disse Veríssimo.

              Municípios que mais desmataram a Amazônia Legal em
maio de 2011 (Fonte: Imazon)
Altamira (PA) 22,2 km²
Porto Velho (RO) 13,4 km2²
Apuí (AM) 12,5 km²
Novo Progresso (PA) 11,6km²

Evolução
De acordo com o levantamento do Imazon, na avaliação dos últimos 10 meses o estado de Mato Grosso foi o que mais registrou desmatamento (saltou de 288 km² para 558 km², alta de 94%).

O Pará registrou decréscimo de 33% na devastação da floresta, mas ainda derrubou uma área equivalente a 19 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha (PE).

Segundo o pesquisador, em Rondônia, por exemplo, tem ocorrido derrubada da floresta por influência de obras federais como a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira.

“Os municípios com grave situação de devastação da floresta no Pará também tem relação com a construção dos canteiros de obra da usina de Belo Monte, no rio Xingu. O município de Altamira, segundo o Imazon, foi responsável por desmatar 22 km² em maio deste ano”, afirmou Veríssimo.

De acordo com o pesquisador, o que tem acontecido também é uma derrubada da vegetação devido à especulação em volta do novo Código Florestal, que modifica as regras na legislação ambiental e rural do país. “É uma incerteza que tem gerado o desmatamento especulativo e não produtivo. Muita gente tem feito isso para garantir terra”, afirmou.

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Amazônia já teve mais de 2,6 bilhões de árvores desmatadas, calcula IBGE

Amazônia Legal concentra cerca de 45% da água subterrânea potável do país

Do Globo Natureza, em São Paulo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta
quarta-feira (1º) um extenso relatório sobre o patrimônio ambiental da Amazônia Legal que revela, entre outros dados, que até 2002 a região havia sofrido a eliminação de 2,6 bilhões de árvores de sua vegetação original, o que corresponde a aproximadamente 13% do total de plantas com troncos com diâmetro maior que 33 centímetros.

Os dados mais recentes analisados no levantamento do instituto são de 2002. Essas árvores desmatadas correspondem a 4,7 bilhões de metros cúbicos de madeira, afirma o IBGE.

Mapa do IBGE mostra as áreas antropizadas (com interferência humana) na Amazônia Legal até 2002. As áreas brancas são as que ainda conservam sua condição natural. As vermelhas são de pecuária. As azuis escuras são de florestas secundárias, ou seja, regeneradas após desmatamento.  (Foto: Reprodução)Mapa do IBGE mostra as áreas antropizadas (com interferência
humana) na Amazônia Legal até 2002. As áreas brancas são as que ainda conservam sua condição natural. As vermelhas são de pecuária. As azuis escuras são de florestas secundárias, ou seja, regeneradas após desmatamento. (Foto: Reprodução)

Outra informação relevante levantada no trabalho é que a Amazônia, que representa 59% do território brasileiro, detém 45% da água potável subterrânea do país. As maiores áreas de aquíferos porosos (aqueles formados por rochas sedimentares, e onde normalmente está armazenada a água subeterrânea no Brasil) encontram-se no Amazonas (1,34 milhão de km²), em Mato Grosso (677 mil km²) e no
Pará (513 mil km²).

Combustíveis fósseis

O IBGE destaca que, por ser formado predominantemente por rochas
sedimentares, o subsolo da Amazônia Legal também tem potencial para exploração de combustíveis fósseis, o que já se confirma pelos campos de petróleo e gás de Urucu, no interior do Amazonas.

As rochas ígneas (formadas a partir do resfriamento do magma que formou a Terra), que compõem 15,1% da área da região, bem como as metamórficas (formadas a partir da tranformação dos dois tipos anteriores de rochas devido a mudanças de temperatura e pressão, por exemplo) que equivalem a 16,1% do subsolo amazônico são propícias para jazidas de minerais como ouro, cassiterita, ferro, zinco, chumbo e cobre.

Neste caso, segundo o IBGE, o Pará é o estado com maior incidência, já que detém 51,9% das rochas sedimentares e 37,3% das metamórficas da região amazônica.

Carbono
O trabalho aponta ainda que o solo da floresta abriga, até 1 metro de profundidade, 95,7 toneladas de carbono em média. A mudança no uso desse solo, como, por exemplo, para fins agropecuários, pode liberar o carbono para a atmosfera, contribuindo para as mudanças climáticas – mais um motivo que torna a floresta em pé importante para o meio ambiente.

O teor de carbono varia de acordo com a porção da Amazônia analisada. As áreas próximas das calhas dos rios apresentam um número menor, segundo mapa do IBGE.

Leia mais

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/06/amazonia-ja-teve-mais-de-26-bilhoes-de-arvores-desmatadas-calcula-ibge.html

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1887&id_pagina=1

Integra do “Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal” pode ser consultada no endereço: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/diagnosticos_levantamentos/default.shtm

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Morte no Berço das Águas

Devastação das bacias do Cerrado impacta a vida de 88,6 milhões de pessoas.

Série de reportagens A morte no berço das águas mostra como a devastação do Cerrado provoca impactos irreversíveis nas bacias hidrográficas irrigadas pelo bioma

Vinicius Sassine

Correio Braziliense

Com quase 20 mil nascentes, o Cerrado irriga seis das 12 regiões hidrográficas brasileiras e tem papel decisivo no abastecimento do Pantanal, situado na Bacia do Paraguai, e da Amazônia, na Bacia Amazônica. O bioma funciona como uma caixa d’água para 1,5 mil cidades de 11 estados, do Paraná ao Piauí, incluindo o Distrito Federal. Mas a fonte seca de forma dramática. Há provas suficientes da morte no berço das águas.

A maior savana da América do Sul, que ocupa um quarto do território brasileiro, foi o bioma desmatado com mais velocidade nos últimos 30 anos. Reduziu-se à metade para abrigar plantações de soja e, mais recentemente, de cana-de-açúcar. Levantamentos inéditos e com precisão científica nas nascentes comprovam a consequência da devastação: o fornecimento de água dentro e fora dos limites do Cerrado já sofre impactos irreversíveis, num processo de degradação localizado exatamente em pontos estratégicos para a existência e a qualidade dos recursos hídricos.

O retrato da morte do Cerrado é mais dramático quando se sabe que, desse reservatório, dependem regiões ocupadas por 88,6 milhões de brasileiros e lugares com grande quantidade de água, como a região amazônica. Para a Bacia São Francisco, onde está parte do Nordeste brasileiro, o Cerrado contribui com 94% da água que flui na superfície de rios e córregos. A água do Brasil Central chega aos estados que estão no litoral de Norte e Nordeste.

Um estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), obtido pelo Correio com exclusividade, faz relação direta entre a devastação do bioma e as áreas de maior drenagem, aquelas com grande concentração de nascentes. Com base no levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA), o bioma foi dividido em 679 bacias de drenagem, situadas numa área de 3,5 mil km². Daquelas que drenam o Cerrado e outros biomas, 62,1% têm índice de desmatamento que impacta no abastecimento de água. As nascentes são assoreadas e deixam de aflorar por causa do rebaixamento do lençol freático. Morrem antes de encorpar e abastecer os corpos hídricos das bacias brasileiras.

Minas e São Paulo são os estados com maiores concentrações de nascentes. E são os lugares com os piores índices de desmatamento nas áreas de grande drenagem, assim como Mato Grosso do Sul e Goiás. O levantamento elaborado pelo Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do MMA relacionou 60 municípios com “risco muito alto” de impactos hidrológicos, ou seja, regiões de nascentes que perdem a função de abastecedoras por causa da devastação sem freio ou fiscalização. São os casos, por exemplo, das cidades de Pirajuba (MG) e Batatais (SP). Ricos em nascentes, os dois municípios têm um índice de desmatamento superior a 93%. Em Inocência (MS), que também aparece no documento do MMA, o desmatamento chegou a 85%.

“Essas áreas desmatadas são estratégicas para a manutenção do ciclo de unidades hidrológicas maiores”, aponta o engenheiro florestal Ralph Trancoso, responsável por elaborar o documento do MMA. A partir de amplo levantamento, que inclui pesquisas e visitas a áreas impactadas, o Correio reuniu provas sobre mortes de nascentes e de importantes cursos d’água do Cerrado. O resultado é publicado numa série de reportagens, a partir de hoje.

Poucos estudos analisam a relação entre desmatamento e qualidade dos recursos hídricos. Há levantamentos isolados, produzidos para regiões específicas. A ANA, por exemplo, mantém 89 estações sedimentométricas nos rios do Cerrado. Essas estações medem a quantidade de sedimentos nos cursos d’água, provenientes de processos de erosão. Pelas medições das estações, porém, é difícil correlacionar desmatamento e sedimentação.

A pedido do Correio, uma equipe da ANA e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Cerrados) analisou os dados de sedimentação nas cidades que mais desmataram o Cerrado nos últimos oito anos. Concluiu que em Formosa do Rio Preto, no Oeste da Bahia, a quantidade de sedimentos no Rio Preto mais do que dobrou a partir de 2002 — chegou a triplicar em algumas medições.

O oeste baiano é o espaço por onde avança a fronteira agrícola em curso no país, principalmente a cultura da soja. Formosa do Rio Preto está sucessivamente no topo da lista de desmatamento do Cerrado nos últimos anos. Foram 2,2 mil km² devastados, somente na cidade, entre 2002 e 2009. As estações detectaram também índice elevado de erosões em rios da Bacia Tocantins-Araguaia. Uma região de chapada em Formosa do Rio Preto concentra nascentes dos Rios do Sono e Preto, que desaguam no Rio Grande, ainda na Bahia. É esse o principal afluente do lado esquerdo do São Francisco. A soja avança pela chapada.

Distrito Federal

A sensação dos trabalhadores mais antigos da Estação Ecológica de Águas Emendadas, no Distrito Federal, é de que a vereda existente no local está se deslocando. Trata-se de um encolhimento. Há dezenas de nascentes na estação. A expansão imobiliária em Planaltina, grudada à reserva, os novos loteamentos e o avanço da soja impactam no tamanho da vereda, de seis quilômetros de extensão. Num determinado ponto, apenas uma estrada separa a estação das plantações de soja e milho.

Um fenômeno raro ocorre em Águas Emendadas: duas grandes bacias nascem ali. Dois córregos afloram da vereda, em direções opostas. O que corre para o norte encontra o Rio Maranhão e abastece o Rio Tocantins, da Bacia Tocantins-Araguaia. O córrego que segue para o sul forma rios que vão desaguar no Rio Paraná, da Bacia do Paraná. A ocorrência desse fenômeno depende da conservação da área de proteção ambiental (APA) da Lagoa Formosa, na parte norte de Águas Emendadas.

A lagoa não conta mais com proteção natural: está cercada por plantações de soja, chácaras, clubes e empreendimentos imobiliários. O volume de água diminuiu nos últimos anos. O Correio flagrou uma plantação de eucalipto praticamente às margens da lagoa, bem ao lado de um clube recreativo. Um homem aplicava os defensivos agrícolas na plantação.

Em outra margem, um “empresário do Lago Sul”, em Brasília, constrói um haras a 150m da lagoa. No local é possível ver postes inundados pelo curso d’água. A margem na área do haras foi aterrada e concretada para a instalação de muretas, que servem de suporte para a entrada de jet skis na lagoa. Os próprios funcionários contam que o Ibama já questionou a concretagem da margem. “Meu patrão teve de ir ao Ibama em Brasília para resolver”, diz um dos trabalhadores do local.

Em outra margem, um “empresário do Lago Sul”, em Brasília, constrói um haras a 150m da lagoa. No local é possível ver postes inundados pelo curso d’água. A margem na área do haras foi aterrada e concretada para a instalação de muretas, que servem de suporte para a entrada de jet skis na lagoa. Os próprios funcionários contam que o Ibama já questionou a concretagem da margem. “Meu patrão teve de ir ao Ibama em Brasília para resolver”, diz um dos trabalhadores do local.

Leia mais:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2011/04/24/interna_brasil,249269/devastacao-do-cerrado-impacta-qualidade-de-vida-de-88-6-milhoes-de-pessoas.shtml

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Novas hidrelétricas podem prejudicar ciclo das águas no Pantanal

Cheias e vazantes dependem da livre circulação dos rios.
Ministro argumenta que planejamento elétrico precisa ser cumprido.

Jornal Nacional

O Pantanal vive dos rios que descem do Planalto Central do Brasil. A água se espalha pela planície em riozinhos – chamados corixos – baías e lagoas, antes de escoar para o Rio Paraguai. E é essa água, que passa devagar pela região, que proporciona a abundância de vida no Pantanal.

A passagem da água é lenta por uma razão: o Pantanal é praticamente plano. Em uma distância de um quilômetro na direção Norte -Sul, o declive é de 3 a 5 centímetros apenas.

Quando chove nas cabeceiras dos rios, o Pantanal enche. Na estiagem, ele seca. “O que é a vida do pantanal? É o que chamam de pulso. É a variação entre a seca e a cheia. Então, quanto mais pulsa, quanto mais varia, melhor”, resume o fazendeiro pantaneiro Armando Arruda Lacerda.

As hidrelétricas planejadas para região podem mudar essa característica? O pantaneiro acha que sim. Ele teme pela sobrevivência dos peixes.

“É o grande berçário, se você descer ai embaixo você vai ver que é um berçário, você vai ver todas as espécies de peixe em… tamanho pequeno, vamos dizer assim. E é isso que alimenta…vai realimentar toda a indústria do turismo de pesca, todo o restantes lá dos rios. Esse peixe cria aqui e vai para o rio”, explica Lacerda.

O corixo não é fundo e provavelmente fica seco durante parte do ano. Quando enche, os peixinhos encontram todos os alimentos de que precisam para crescer. Parece um aquário: corimbatás, piaus, piraputangas, lambaris, piranhas, cascudos e uma arraia que, com astúcia, tenta se esconder.

Quando adultos, os peixes criados no corixo sobem os rios para a área de reprodução. Só não chegam lá quando encontram obstáculos: uma cachoeira alta ou uma usina.

Rio Coxim
Uma das hidrelétricas em estudo fica no Rio Coxim, um dos melhores pontos de pesca de Mato Grosso do Sul. O marco mostra onde o rio seria cortado pela barragem.

Se a usina for aprovada, o reservatório vai cobrir a Cachoeira dos Quatro Pés. O pescador Tião está revoltado: “Tudo debaixo da água. Aqui vai virar uma represa de 300 a 400 hectares. Todas essas pedras aqui vão pegar a inundação”

O engenheiro Dorival Gonçalves Jr, professor da Universidade Ferderal de Mato Grosso, acha que o custo ambiental não compensa os benefícios.

“Itaipu o ano passado verteu cerca de 400 mW médios. Se a gente somar todo o potencial das bordas do Pantanal não vai alcançar isso”, diz.

Pequeno porte
Das 62 hidrelétricas previstas para a região nos próximos nove anos, só uma é de grande porte. As outras são pequenas centrais com produção irrisória. Se todas forem construídas, irão contribuir com apenas 1,33 % da energia hidrelétrica gerada no país.

E o período em que elas mais produzem é exatamente quando grande parte das usinas brasileiras estão com os reservatórios cheios, jogando água em excesso pelos vertedouros.

Para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o Brasil não pode abrir mão de qualquer potencial energético, mesmo que pequeno: “Se nós abdicamos daqui, abdicamos dali, abdicamos de acolá, sob os mais diferentes argumentos – ainda que alguns deles procedentes, como é o caso, por exemplo, do Pantanal (…) vamos acabar não cumprindo o nosso planejamento energético brasileiro”.

Veja o site do Jornal Nacional

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/04/novas-hidreletricas-podem-prejudicar-ciclo-das-aguas-no-pantanal.html

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Turbinas de vento ‘são uma ameaça para agricultura’, diz estudo

Do site G1

As turbinas de vento para geração de energia eólica representam uma grande ameaça para as populações de morcegos, o que pode ocasionar perdas bilionárias para a agricultura, alerta um estudo publicado na edição desta sexta-feira (1) da revista científica “Science”.

O estudo, conduzido por uma equipe de pesquisadores americanos e sul-africanos, sugere que a diminuição da população de morcegos na América do Norte poderia gerar prejuízos agrícolas de mais de US$ 3,7 bilhões por ano, podendo atingir até US$ 53 bilhões anuais.

“Essas estimativas incluem a economia de aplicações de pesticida que não são necessárias para controlar os insetos hoje consumidos pelos morcegos. Entretanto, não incluem o impacto colateral dos pesticidas sobre os seres humanos, animais domésticos e selvagens e o meio-ambiente”, explicou um dos autores do estudo, Gary McCracken, da Universidade do Tennessee em Knoxville.

“Sem os morcegos, a produtividade das colheitas é afetada. As aplicações de pesticidas aumentam. As estimativas claramente mostram o imenso potencial dos morcegos de influenciar a economia da agricultura e das florestas.”

Perda de biodiversidade

Os morcegos são predadores de insetos noturnos, entre os quais, espécies que destroem colheitas e florestas. Segundo os pesquisadores, uma única colônia de cerca de 150 morcegos adultos no Estado americano de Indiana consumiu quase 1,3 milhão de insetos em um único ano.

Mas, desde 2006, mais de um milhão de morcegos já morreram em decorrência da chamada “síndrome do nariz branco”, causada por um fungo. Mais recentemente, estudos têm alertado para a ameaça contra esses animais representada por turbinas de geração eólica, sobretudo durante o período de migração.

Embora alguns sejam afetados por golpes diretos desferidos pelas hélices das turbinas, a principal causa de morte é a queda repentina de pressão próxima dessas estruturas, que ocasiona hemorragias internas.

Os morcegos se orientam por uma espécie de sexto sentido que os guia pelo som dos ecos, a ecolocalização. Isso os permite detectar obstáculos e desviar deles, mas a mudança de pressão é imperceptível.

“São necessários esforços urgentes para educar o público e os formuladores de políticas públicas sobre a importância ecológica e econômica dos morcegos insetívoros e prover soluções práticas de conservação”, sustenta o artigo. 

Mas, desde 2006, mais de um milhão de morcegos já morreram em decorrência da chamada “síndrome do nariz branco”, causada por um fungo. Mais recentemente, estudos têm alertado para a ameaça contra esses animais representada por turbinas de geração eólica, sobretudo durante o período de migração.

Embora alguns sejam afetados por golpes diretos desferidos pelas hélices das turbinas, a principal causa de morte é a queda repentina de pressão próxima dessas estruturas, que ocasiona hemorragias internas.

Os morcegos se orientam por uma espécie de sexto sentido que os guia pelo som dos ecos, a ecolocalização. Isso os permite detectar obstáculos e desviar deles, mas a mudança de pressão é imperceptível.

“São necessários esforços urgentes para educar o público e os formuladores de políticas públicas sobre a importância ecológica e econômica dos morcegos insetívoros e prover soluções práticas de conservação”, sustenta o artigo.

Leia em:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/04/turbinas-de-vento-sao-ameaca-para-agricultura-diz-estudo.html

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Estudo mostra que baleias reagem com terror aos barulhos produzidos por sonares, navios, parques eólicos e exploração de petróleo

Foto: EPA

Um novo estudo realizado por pesquisadores da universidade St. Andrews da Escócia analisou os efeitos dos sons produzidos pelo homem no oceano no comportamento das baleias-de-bico. Os pesquisadores mostraram que baleias-de-bico reagem com terror aos sons produzidos por sonares.

Os pesquisadores utilizaram sons de sonares para analisar o comportamento das baleias diante de perturbações sonoras. Com etiquetas eletrônicas presas aos corpos das baleias, os pesquisadores puderam gravar as reações de terror provocadas por sons produzidos pelo ser humano.

O professor Ian Boyd, que conduziu o estudo, disse que os pesquisadores não continuaram a expor os animais aos sons dos sonares para evitar efeitos perigosos, mas ficou claro que essas baleias nadaram rapidamente para sair do caminho dos sonares. “Nós agora pensamos que, em algumas circunstâncias incomuns, elas ficam desorientadas e acabam encalhando na costa.”

“Sempre houve uma forte associação entre a morte estranha destes animais pouco conhecidos e as manobras da marinha. Nós agora acreditamos que isso pode ser verdade.”

Navios, a exploração de petróleo e as turbinas de vento também assustam as baleias

“Vejo nos resultados da pesquisa importantes conselhos que podem ajudar as atividades navais a evitar problemas com as baleias, no entanto, estou preocupado que os níveis gerais de som de diversas fontes como os navios, a exploração de petróleo e as turbinas de vento podem ser um problema muito mais grave para as baleias-de-bico e outras espécies sensíveis“, disse ele.

Para muitos, os resultados desta pesquisa parecem bastante abstratos, militares rejeitam a relação entre a morte de baleias por encalhamento e o uso de sonares, mas para quem tem um cachorro como animal de estimação e sabe como eles reagem aos sons de fogos de artifício, a possibilidade é bastante concreta.

Leia mais:

Sonar sound waves “drive terrified whales to their death onshore”

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1366210/Sonar-soundwaves-drive-terrified-whales-death-onshore.html#ixzz1GiZp2zoe

Número de baleias encalhadas no litoral preocupa especialistas

Será que as baleias estão perdendo a direção? Tem alguma coisa estranha nos oceanos?

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1619669-15605,00-NUMERO+DE+BALEIAS+ENCALHADAS+NO+LITORAL+PREOCUPA+ESPECIALISTAS.html

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